|
|
A Educação
precisa Passar por uma Revolução
CLICK AQUI PARA ACESSAR O MENU DO AUTOR Tenho dado conferências e cursos a centenas de educadores, por isso tenho sentido de perto o caos que está a Educação. A Educação no mundo inteiro está passando por crises. Estamos formando homens cultos, mas não homens que pensam. Estamos formando homens que dão respostas ao mercado, mas não homens maduros, completos, que sabem se interiorizar, pensar antes de reagir, expor e não impor as suas idéias, trabalhar em equipe, que amam a solidariedade, que sabem se colocar no lugar do outro. A crise educacional me motivou a fazer uma ampla pesquisa no País sobre a qualidade de vida dos educadores e dos alunos, bem como sobre a qualidade da educação social. O início foi no começo do ano 2000 com educadores de centenas de escolas. Nesta pesquisa, investigo os sintomas psíquicos e psicossomáticos, os níveis de estresse, as causas psíquicas e sociais, a relação professor/aluno, professor/escola, aluno/escola e a qualidade da educação social ligada à prevenção de drogas, AIDS e educação sexual. Os dados iniciais relativos à prevenção do uso de drogas são até chocantes. Perguntei aos educadores: O que você acha da prevenção de drogas na sua escola ?
Os números de fato são alarmantes. Apesar de a Educação ter professores ilustres, ela é ineficiente na prevenção do mais grave problema social da atualidade. Grande parte dos professores declarou com honestidade que a educação social está falida, e isto não só em relação à prevenção de drogas. O que os nossos alunos estão aprendendo ao longo de sua história educacional ? Estão aprendendo Matemática, Física, Química, Biologia, mas não estão aprendendo a viver, a proteger suas emoções e a desenvolver a arte de pensar. A Educação precisa passar por uma revolução. Os professores deveriam ser treinados e equipados para poder atuar no campo da prevenção e da qualidade de vida dos alunos. Deveriam ser mais bem remunerados para terem uma vida digna e menos estafante. Educar é uma das tarefas mais prazerosas, mas também uma das mais desgastantes da inteligência. Os dados iniciais da qualidade de vida dos educadores mostram que eles são verdadeiros heróis anônimos. Muitos estão tão estressados que não têm nenhuma condição de dar aula, mas ainda assim, por amor à profissão e pelo prazer poético de ensinar, estão em plena atividade. A quantidade de sintomas psíquicos e psicossomáticos que a classe dos educadores está experimentando é enorme, tais como insônia, desmotivação, cansaço físico exagerado, humor deprimido, hiper-aceleração de pensamentos, ansiedade, cefaléia, vertigem (tontura). A educação social fica difícil de ser realizada não apenas pelos problemas propriamente ligados à escola, como também pelos problemas ligados à personalidade dos alunos e pela qualidade de vida debilitada dos educadores. Grande parte dos alunos só se preocupam com o prazer imediato, estão alienados socialmente e não pensam no futuro nem nas conseqüências do seu comportamento. Os resultados disso ? Um dos mais graves é que a sala de aula se torna muitas vezes uma verdadeira praça de guerra e não um canteiro de inteligência ou um ambiente de prazer. Professores e alunos estão em mundos diferentes, com objetivos distintos. De um lado, estão os professores querendo ensinar e de outro, estão os alunos, cuja maioria, com as devidas exceções, não tem, como Platão proclamava, o deleite pelo conhecimento, o prazer de aprender. Na época de Platão, o mestre era quase que exclusivamente a única fonte do conhecimento. Hoje, as fontes multiplicaram-se. Os professores são apenas uma fonte a mais. Eles, aos olhos dos alunos, se tornaram pessoas desinteressantes, que não conseguem competir com a TV, com a Internet e outros meios de comunicação. Tenho repetido que a psicopedagogia escolar precisa passar por uma verdadeira reviravolta para que os professores conquistem novamente o status de mestres. Contudo, este é um assunto para outra publicação. Se já é difícil ensinar as matérias clássicas, exteriores à vida dos alunos, imagine como não seria difícil ensinar matérias que os estimulem a pensar, a rever suas rotas de vida, a lidar com suas emoções ! Por isso, diante da crise educacional atual, a prevenção de doenças psicossociais, como a produzida pelas drogas, tem sido mínima. Todos os dias, milhares de jovens estão iniciando o uso de drogas e muitos deles ficarão dependentes e terão o curso de suas vidas totalmente alterado. Como os alunos desenvolverão uma personalidade saudável se eles só conseguem olhar o mundo com seus próprios olhos, se não conseguem se colocar no lugar do outro e não têm o mínimo de defesa emocional contra as doenças que confinam a inteligência num cárcere ? Se melhorarmos a qualidade de vida dos educadores, treinando-os para que conheçam o funcionamento da mente e sejam capazes de estimular as funções mais importantes da inteligência dos alunos, será possível reverter este quadro. Todavia, se não o revertermos, as sociedades modernas se tornarão uma fábrica, cada vez maior, de doenças psíquicas. ( Dr. Augusto Jorge Cury - Biografia - 1958/*** ) |
|
Portal Nosso São
Paulo - www.nossosaopaulo.com.br
|